Arquitetura contra a COVID-19

19.11.2020
19/11/2020
Eduardo Paiva Haguio
 
 
A partir de setembro deste ano, vários países do ocidente começaram a registrar aquilo que era um grande temor dos especialistas: a chamada "segunda onda" da COVID-19. Associada ao fim do verão no hemisfério norte, ao relaxamento das ações de distanciamento social e a mutações do vírus, essa segunda onda de casos tem o potencial de ser mais intensa, mais forte e mais letal do que a primeira. O retorno às medidas de quarentena são um balde de água gelada nos nossos ânimos já tão abalados, e nos fazem pensar que a pandemia veio mesmo para ficar. Este já era um alerta feito lá no início pelos epidemiologistas, mas — mesmo contrariando a lógica de que nada está tão ruim que não possa piorar — penso que a maioria de nós já estava realmente acreditando que o pior havia ficado para trás.
 
Com as previsões mais otimistas para vacinas anti-COVID-19 indicando seu lançamento a partir do início de 2021 (vacinas, essas, desenvolvidas em tempo recorde, registre-se), ainda deve levar muito tempo até que atinjamos um número relevante de imunizações. Dessa forma, tudo aponta para o fato de que ainda vamos ter um longo período pela frente de convívio com essa doença. Devemos, com isso, buscar formas de seguir vivendo nossas vidas, nos adaptando gradualmente e realizando nossas atividades com a maior segurança possível. O que nos anima, nesse sentido, é que a união de esforços de cientistas de diversas áreas nos tem feito avançar no conhecimento sobre a doença, sobre o vírus — e com isso já conseguimos avanços extremamente significativos na redução do contágio e da letalidade da COVID-19.
 
Dentre esses diversos avanços, um dos mais relevantes foi a identificação de que a transmissão pelo ar é uma das principais formas de contágio do vírus. Assim, medidas simples como a ventilação com renovação do ar em ambientes internos têm se mostrado de grande eficácia para a redução das taxas de transmissão da COVID. Em relação às nossas edificações, este cuidado com a ventilação natural deve ser uma das mais relevantes transformações a partir de agora em todo o mundo.
 
 
No Brasil, aparentemente estamos assistindo agora ao início de uma segunda onda — apesar de sequer termos superado a primeira —, com uma alta expressiva no número de casos nos últimos dias. Segundo especialistas, este aumento está provavelmente associado ao aumento da circulação de pessoas e à diminuição significativa do distanciamento social nos feriados prolongados de setembro, outubro e novembro. E agora, com a chegada do verão — quando o calor intenso provoca o uso prolongado do ar-condicionado —, será necessário redobrar a atenção com os cuidados na renovação do ar interno dos ambientes.
 
Em relação a esses cuidados, dois fatores são bastante preocupantes. O primeiro é que boa parte dos sistemas de ar-condicionado instalados não promove a renovação adequada do ar interno: os aparelhos mais empregados na maioria dos lugares, do tipo split, não possuem mecanismo para a troca de ar com o exterior. O segundo é que a tipologia arquitetônica de grande parte de nossas edificações de trabalho, com planta "profunda" e aberturas geralmente em apenas uma das laterais, dificulta bastante a circulação natural do ar interno — e isso acontece mesmo quando portas e janelas permanecem abertas. Diante disso, consideramos importante realizar análises em nossas edificações a fim de identificar as situações de risco e as medidas possíveis para a sua redução. Com base em dados arquitetônicos e avaliações técnicas, é possível estimar as taxas de renovação do ar em situações determinadas, e com isso estabelecer protocolos de segurança no uso do ar-condicionado e de ventilação dos ambientes.
Nós da Otimax entendemos que esse diagnóstico é de grande importância para a saúde das pessoas e para o funcionamento adequado dos locais de trabalho, evitando assim medidas extremas como a quarentena obrigatória e o lockdown. Por isso, para os estabelecimentos de Londrina e região que desejarem avaliar tecnicamente sua situação de ventilação natural como forma de embasar procedimentos de segurança, fazemos aqui uma proposta: podemos oferecer um serviço de custo reduzido, destinado a diagnosticar a situação atual (com base nas características arquitetônicas) e indicar opções para melhorar a ventilação natural ou auxiliar na elaboração de diretrizes para a operação da edificação dentro de parâmetros de segurança. Os dados resultantes dessa análise são sigilosos, cabendo ao responsável pelo estabelecimento divulgá-los ou não. Entre em contato conosco pelos nossos canais (WhatsApp, e-mail ou redes sociais) para maiores detalhes deste serviço.
 
Tempos difíceis atingem a todos, em maior ou menor grau, mas não devem nos desanimar; é preciso ter em mente que eles carregam em si o potencial de estabelecer novas relações, recuperar aquilo que realmente importa, fazer-nos olhar a vida de outra maneira. Importante é seguir em frente, sempre — um dia de cada vez.